COMUNICAÇÃO E LUTA PELA TERRA EM GOIÁS: estudo a partir do acampamento Dom Tomás Balduino

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

FACULDADE DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO MESTRADO EM COMUNICAÇÃO.

RESUMO

As bases iniciais para a formação territorial brasileira, considerando o período posterior à
invasão europeia, foram certamente o latifúndio, a monocultura e o trabalho escravo. Essa
tríade foi responsável pela violência que caracterizou o avanço colonizador sobre as terras e
populações tradicionais, assim como, sobre as demais matrizes formadoras do povo brasileiro
e suas diferentes miscigenações. Na luta pelo território, contudo, também a resistência desses
povos por sua terra e forma de vida foi central para os novos arranjos territoriais e humanos.
Por outro lado, em alguns momentos, este processo ganhou nuances características. Podemos
citar, como exemplo, os conflitos pela terra e território ocorridos nas diversas regiões
brasileiras: Cabanagem na Região Amazônica, Canudos na Região Nordeste, Contestado e
Porecatu na Região Sul, Ligas Camponesas na Região Nordeste, Trombas e Formoso na
Região Centro-Oeste. As duas últimas, ocorreram no limiar – e foram motivos para – da
instalação da Ditadura Militar de 1964, que enterrou vários projetos políticos e sociais que
incluíam a democratização do acesso à terra e o direito ao território. A luta recente pela terra
pode ser contada a partir de meados da década de 1980, no âmbito da redemocratização
brasileira, com o surgimento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, entre
outros que forneceram, a partir de então, um novo sentido à luta pela terra. A ocupação do
latifúndio improdutivo e os acampamentos coletivos com intuito de pressionar pela
desapropriação passam a fazer parte das táticas de luta dos movimentos sociais populares no
campo. Todo esse processo histórico, por sua vez, foi acompanhado pelos discursos
hegemônicos que sustentam e dão suporte à concentração fundiária brasileira e goiana, em
específico. A mídia em sua magnitude é um ator político desse processo, juntamente com as
novas mídias digitais, facebook, whatzapp, Google etc. e, principalmente, a mídia televisiva
que possui grande abrangência. A recente campanha “O AGRO É POP” exemplifica a força
destes instrumentos na luta ideológica pelas mentes, o que influencia diretamente no resultado
da luta pela terra. O latifúndio da mídia, desta forma, tem assumido relevância equiparada ao
latifúndio concreto da posse da terra, bem como suas relações múltiplas com transnacionais
ao redor do mundo e o mercado financeiro. Em contrapartida, nos questionamos sobre a
utilização de tais processos de comunicação pelos camponeses em luta pela terra. Como a
comunicação de forma geral, e as novas mídias digitais, em específico, influenciam na luta
pela terra no Brasil e destacadamente em Goiás? Em que amplitude tais instrumentos
midiáticos são utilizados pelos acampados ou por suas lideranças no processo de luta? Qual a
força dos processos de comunicação no desenvolvimento e desfecho dos conflitos pela terra?
No sentido de refletir e buscar resposta para estas e outras questões, temos como objetivo
principal nesta dissertação entender como os processos de comunicação influenciam a luta
pela terra no Estado de Goiás. Temos como foco de análise os sujeitos do Acampamento Dom
Tomás Balduino, consolidado inicialmente na ocupação da Fazenda Santa Mônica em
Corumbá de Goiás, em 2014, mas que continua em movimento em outros espaços como o
município de Formosa, também em Goiás. O processo investigativo que resultou nesta
dissertação tem suas bases na perspectiva participante de pesquisa, entendendo que somente é
possível compreender de fato o contexto pesquisado com uma imersão participativa no
cotidiano social, político e cultural dos sujeitos com os quais compartilhamos a pesquisa.
Destacadamente, utilizamos a observação participante como instrumento de campo, utilizado,
em diferentes momentos e locais, durante imersão no território de vida das famílias
acampadas no Acampamento Dom Tomás Balduino. Nestes momentos também foram
realizadas 36 entrevistas com homens e mulheres acampados. Para a análise de tais entrevistas Dissertação Final Dagmar Olmo Talga 1utilizamos a Análise de Conteúdo (AC), que nos forneceu elementos sólidos para as reflexões,
discussões e análises aqui apresentadas. Esperamos de alguma forma, com os resultados
alcançados, contribuir com o desvelamento da influência dos processos de comunicação na
luta pela terra no Estado de Goiás. E concomitantemente contribuir com a luta pela terra e
pelo território de sujeitos acampados no Estado de Goiás.

Palavras-chave: Comunicação. Mídia. Internet. Luta pela terra. Acampamento Dom Tomás
Balduino.

DAGMAR OLMO TALGA

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